A Tokyo Gas juntou-se à Hitachi, à Brookfield Japan e à Hartree Partners Singapore em um plano para construir data centers no Japão que gerem a própria eletricidade. As quatro empresas anunciaram em 19 de outubro que assinaram, em 30 de setembro, um memorando de entendimento. A primeira tarefa é elaborar planos de desenvolvimento para locais na região de Kanto, ao redor de Tóquio, e em Kyushu.
Um modelo padrão antes do primeiro local
Os três primeiros parceiros começaram a estudar o financiamento de infraestrutura digital em julho de 2025; a Tokyo Gas é a nova integrante. Segundo as reportagens do setor japonês, o grupo quer um conceito básico e um modelo padrão que possa ser repetido de local para local, e não um projeto único. A geração no próprio local deve ser a fonte principal de suprimento, apoiada por baterias de armazenamento e pela rede elétrica.
O que o modelo deve cobrir, conforme listam as reportagens:
- várias fontes de energia em vez de uma só;
- redundância na distribuição de energia e no resfriamento;
- requisitos de descarbonização, com uso de energia renovável e créditos de carbono;
- edificações e equipamentos de geração modulares e padronizados.
Os parceiros também pretendem trazer empresas de TI, fabricantes e instituições financeiras. A Brookfield traz a experiência de cerca de 150 data centers no mundo, e a Hitachi, o projeto de data centers e o serviço de operação HMAX Data Center. A Tokyo Gas e sua subsidiária TGES cuidam da parte energética; o IBTimes Japan observa que a TGES já vende um produto de data center híbrido, que combina energia da rede com cogeração a gás no próprio local.
O que o anúncio deixa em aberto
O anúncio não traz capacidade, valor de investimento, local nem cronograma, e não diz que tipo de central geradora será usado. As reportagens são claras quanto ao motivo: os novos data centers estão sendo construídos mais rápido do que a rede de transmissão é ampliada, e a espera por uma conexão virou o item mais longo do cronograma. As empresas descrevem os atrasos como um problema claro e veem a instalação ao lado de uma fonte de energia como uma forma de ampliar a escolha de terrenos, em linha com a intenção do governo de afastar os data centers da região de Tóquio.
A BigGo Finance faz uma ressalva: esses projetos levam vários anos para entrar em operação e trazem encargos que um data center ligado apenas à rede não tem, como compra de combustível, conformidade com as regras de emissões e custo de baterias. É aí que o memorando de entendimento vira engenharia. A espera pela rede já atingiu projetos em outros lugares, como no caso da Nscale em Essex.
Uma central geradora que é a fonte de base de um data center é diferente de uma instalação de reserva. Ela funciona o ano todo, e não apenas algumas horas em testes, então janelas de manutenção, abastecimento de combustível e operação em clima quente passam a fazer parte da rotina. Com a cogeração a gás na composição, como oferece a TGES, a pergunta sobre para onde vai o calor faz parte do projeto desde o primeiro esboço; veja nossas notas sobre cogeração.
Fontes: IBTimes Japan, Mynavi Tech+, BigGo Finance
