Texas manteve licenças de usinas a gás de data centers, dizem ONGs

O que mostram os registros

Uma pausa nas licenças de data centers no Texas não parou a papelada, segundo duas organizações de fiscalização. A FracTracker Alliance e a Public Citizen examinaram os registros da Texas Commission on Environmental Quality (TCEQ) e contaram 35 atos de licenciamento para projetos de data centers entre 21 de setembro, dia em que o governador Greg Abbott mandou o órgão suspender essas licenças, e 16 de outubro. As conclusões foram publicadas em 19 de outubro.

A carta do governador determinava que a TCEQ deixasse de emitir licenças para data centers até que o operador da rede, ERCOT, concluísse sua análise dos projetos de data centers, e que nenhum outro órgão estadual avançasse com aprovações relacionadas até lá. O levantamento da FracTracker sobre o que aconteceu depois:

  • três decisões preliminares sobre licenças de emissões atmosféricas para grandes fontes, enviadas pelo correio em 22 de setembro;
  • 11 autorizações de águas pluviais de obra aprovadas;
  • sete certificações de limite de emissões registradas como emitidas;
  • 14 pedidos para usinas a gás ou geradores que continuaram em análise, alguns em regime acelerado ou já designados a um engenheiro.

As usinas na lista

Os três avisos de grandes fontes se referem à usina ABI-1 da VoltaGrid, que vai atender o campus da Vantage no condado de Shackelford, ao data center autoabastecido Nexus, em Hubbard, e ao Prairie Energy Center da NRG, no condado de Hill. Cada aviso abre um prazo de 30 dias para comentários, e as organizações temem que moradores que acreditaram na pausa o percam. Mais abaixo na lista aparecem um registro de gerador da Edged em Dallas, protocolado e acelerado em 6 de outubro, com a primeira análise concluída até 9 de outubro, e o projeto Caldwell Valley da Tract, que, segundo o relatório, prevê 360 MW de carga inicial em 2028 e tem associada uma usina a gás proposta de 1.500 MW.

A posição da TCEQ, passada à FracTracker em 14 de outubro, é que suspendeu a emissão de licenças de ar e água para a construção de data centers e que as empresas ainda podem protocolar pedidos, que não vão avançar. As organizações dizem que os registros contradizem isso. Kathryn Guerra, da Public Citizen, falou em tudo seguindo como sempre e pediu ao Legislativo regras vinculantes; a FracTracker quer uma moratória estadual, a reabertura dos prazos de comentários e um banco de dados público que ligue os campi às suas usinas e licenças.

Lendo como cronograma de projeto

Deixando a política de lado, trata-se de um problema de planejamento. Como a lista mostra, boa parte do que está parado no Texas é geração que os data centers constroem para si mesmos, e essas usinas dependem de licenças de emissões atmosféricas. Um empreendedor com motores ou turbinas já encomendados agora precisa planejar em torno de uma pausa cujo fim depende de uma análise do ERCOT sem data divulgada, e de uma disputa sobre se as etapas já cumpridas vão valer. Já vimos na Geórgia o que acontece quando a geração é instalada antes da licença de emissões, e o Oregon suspendeu essas licenças de vez (nossa reportagem anterior).

O conselho prático é antigo: não deixe as datas de entrega dos equipamentos passarem à frente da licença, e mantenha à mão os dados de emissões e ruído da usina escolhida, porque é num prazo de comentários reaberto que eles são lidos.

Fontes: FracTracker Alliance, Public Citizen

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