A PJM Interconnection enviou à FERC uma versão corrigida de seu plano para comprar capacidade de geração para uma rede em déficit. A nova versão chegou em 29 de outubro, prazo que o regulador havia fixado depois de ter retido a proposta original em setembro. Agora a PJM propõe abrir os lances em 1 de março de 2027.
Por que a proposta teve de ser refeita
O plano responde a um déficit. O último leilão de capacidade da PJM, referente ao ano de entrega 2028/2029, fechou 6.831 MW abaixo do que a rede precisa para manter a confiabilidade. A PJM associa os dois últimos déficits a grandes cargas, principalmente data centers, que crescem mais rápido que a oferta nova. Em 29 de setembro, a FERC aceitou a maior parte da compra pontual, mas a suspendeu até 28 de fevereiro de 2027 e questionou a forma de rateio dos custos. Entre as objeções estavam a alocação dos custos, as garantias exigidas dos agentes que atendem a carga e uma opção de saída para cooperativas e concessionárias municipais, que o regulador considerou discriminatória. A janela original de lances, que deveria começar em 30 de setembro, nunca chegou a abrir.
O que a nova proposta muda
A PJM diz que mudou três pontos: a forma de alocar os encargos, as exigências de garantia para os agentes que atendem a carga e o que acontece quando um deles deixa a PJM. Os custos passariam a acompanhar o crescimento firme de grandes cargas entre o pico real do verão de 2026 e a previsão para 2028/2029. As distribuidoras informam esse crescimento, e a PJM o atribui às zonas conforme a participação de cada uma. Quem sair continua responsável pelos próprios encargos até o fim do prazo.
O teto de preço continua em média de US$ 555/MW-dia, ponderada pelos megawatts, contra US$ 325/MW-dia no leilão ordinário de capacidade. Os contratos podem durar até 15 anos. O cronograma proposto: os lances encerram em 28 de março, os volumes finais de meta e de fornecimento são fixados em 28 de abril e os resultados são publicados em 10 de maio. A meta de cerca de 6.800 MW será recalculada, e a PJM descontará a capacidade que grandes cargas garantirem por meio de contratos bilaterais com fornecedores, uma rota que ela ajuda a organizar em paralelo. A FERC ainda precisa aprovar tudo.
Uma regra pensada para grandes cargas
Para quem desenvolve um data center nos 13 estados e no Distrito de Columbia cobertos pela PJM, o recado é este: o custo da nova capacidade está ligado ao crescimento de grandes cargas, e a proposta deixa o contrato bilateral como forma de reduzir o que é comprado no mercado. Assinar ou não um contrato desse tipo, construir geração própria ou esperar o leilão são decisões que agora devem constar da primeira estimativa de custo, e não da última. Já tratamos do mesmo problema de leilão pela visão executiva (entrevista com a Exelon), e o lado das usinas está descrito em nossa página de usinas termelétricas.
Fontes: Microgrid Media, PA Environment Digest, Utility Dive
