A American Electric Power está construindo uma usina longe da sua própria rede. A concessionária informou em 14 de outubro que planeja investir cerca de US$ 4 bilhões em uma usina de células a combustível de 702 MW perto de Cheyenne, Wyoming, e vender a produção ao Google por meio de um contrato de compra de energia de 20 anos. A sociedade do projeto, Cheyenne Fuel Cell LLC, pertence em cerca de 92 % à AEP, que a controla; fundos assessorados pela Basalt Infrastructure Partners detêm quase 8 %. As obras devem começar ainda este ano, e a operação plena é esperada até o fim de 2028.
Gás natural sem chama
As unidades são da Bloom Energy. Suas células a combustível convertem gás natural em eletricidade por via eletroquímica, em vez de queimá-lo, e a AEP afirma que uma tecnologia de captura de carbono será acrescentada à medida que o projeto amadurecer, com a meta de chegar a uma energia com emissões próximas de zero. A AEP descreve a tecnologia como rápida de implantar e capaz de dar a clientes de grande carga energia confiável sob demanda. O presidente do conselho e CEO, Bill Fehrman, apresentou o projeto como uma nova forma de atender às necessidades dos clientes dentro e fora da área de concessão tradicional da AEP. Aqui, a concessionária atua como proprietária e geradora para um único cliente, e não como a rede local.
A relação com a Bloom vem de antes. Em novembro de 2024, a AEP fechou acordo para comprar até 1 GW de células a combustível de óxido sólido da Bloom ao longo de cerca de uma década, começando com um pedido de 100 MW, para atender ao crescimento dos data centers no centro de Ohio em locais onde a rede não conseguiria entregar a potência total a tempo, noticiou a EnergyTech na época. A AEP contabilizava então cerca de 15 GW em compromissos de carga de data centers para esta década. O novo comunicado não diz se as unidades de Cheyenne fazem parte desse acordo.
O segundo acordo de energia em Cheyenne em duas semanas
A AEP diz que o projeto vem na sequência dos acordos entre o Google e a Black Hills Corp. que entraram em vigor em 30 de setembro. Por eles, a Black Hills vai atender o data center que o Google planeja em Cheyenne com um pacote de 2,7 GW que inclui 564 MW de geração própria nova a gás e cerca de 2,1 GW de recursos contratados de terceiros e operados por meio de uma microrrede privada. Nem o comunicado da AEP nem a reportagem da Power Technology dizem se os 702 MW fazem parte dessa parcela de terceiros.
Muitas unidades pequenas, um só cliente
Uma usina de células a combustível desse porte não é uma única máquina grande, e sim um campo de unidades modulares, cada uma com sua própria alimentação de gás, sua eletrônica de potência e seu calor a dissipar. As perguntas de quem vai operá-la são outras que as de uma usina com motores ou turbinas: como a potência e a eficiência variam com o envelhecimento das pilhas, como trocar módulos sem tirar capacidade de uma carga que nunca para, e como o conjunto se comporta nos invernos frios de Cheyenne e nos seus verões de grande altitude. O suprimento de gás para 702 MW contínuos também precisa estar garantido antes do fim de 2028.
As células a combustível aparecem cada vez mais como resposta ao mesmo problema que os motores a gás resolvem: energia firme ao lado de um data center antes que a rede consiga levá-la até lá. A cadeia de fornecimento acompanha esse movimento: nesta semana, a LS Electric e a LS Materials fecharam pedidos de equipamentos associados à geração com células a combustível da Bloom em data centers dos EUA. O que não foi divulgado é se o campus de Cheyenne vai manter, por trás de tudo isso, grupos geradores a motor como reserva. Para uma usina construída para um único cliente, esse é o próximo detalhe que vale perguntar.
Fontes: AEP (PR Newswire), AEP, Power Technology, EnergyTech (2024)
