CEO da Eaton: a migração para CC nos data centers é real, o prazo não

A migração da distribuição em CA para CC dentro dos data centers de IA está de fato acontecendo? O CEO da Eaton, Paulo Ruiz, disse aos investidores em 3 de novembro que sim, porque os clientes enxergam nela uma grande economia de energia, mas que o momento dessa mudança não depende da Eaton. A Utility Dive publicou as declarações em 5 de novembro, a partir da teleconferência de resultados do terceiro trimestre.

Um transformador de estado sólido de 2 MW aprovado pela UL

Por trás da afirmação está um transformador de estado sólido de 15 kV e 2 MW. Segundo Ruiz, até onde a Eaton sabe, é a primeira unidade de vários megawatts a passar em todos os ensaios de uma nova norma da UL Solutions. Um transformador de estado sólido faz com semicondutores de potência e componentes magnéticos o que uma unidade convencional faz com um grande núcleo de aço elétrico e enrolamentos de cobre, e é mais compacto e eficiente do que os transformadores de média e baixa tensão que substitui. A Eaton adquiriu a tecnologia com a Resilient Power Systems em agosto de 2025, por US$ 86 milhões, segundo o seu comunicado de resultados.

A Eaton espera que 800 V CC se torne o padrão do setor para a distribuição em data centers. A Utility Dive cita uma análise da McKinsey segundo a qual esses projetos poderiam reduzir em até 18% o investimento fora da área de TI, e um teste realizado no início deste ano pelo EPRI, pela New York Power Authority e pela NC State, em que um transformador de estado sólido de 1 MW reduziu à metade as perdas de energia em comparação com um arranjo convencional. Ruiz não apresentou a tecnologia como aposta única: os projetos em CA não são ruins, disse ele, e a Eaton ganha de qualquer forma. Ele inclui o transformador entre vários elementos construtivos, ao lado de disjuntores CC, qualidade de energia e refrigeração avançada.

Pedidos à frente da produção

O trimestre lhe deu margem para isso. O comunicado da Eaton registra vendas recordes de US$ 8,9 bilhões, alta de 28%, dos quais 19 pontos vieram de crescimento orgânico. A Electrical Americas, pouco menos da metade das vendas do trimestre, faturou US$ 4,2 bilhões, alta orgânica de 22%, e seus pedidos acumulados em doze meses subiram 39%. A Utility Dive estima a carteira do segmento em US$ 16 bilhões, 33% acima de um ano antes. Ruiz disse aos analistas que a demanda continua à frente do que a Eaton consegue converter em entregas e que os projetos de data centers anunciados no mundo somam 366 GW, contra cerca de 50 GW instalados. A Eaton também fechou acordo para comprar o COL Group, fabricante italiano de equipamentos de distribuição de média tensão com cerca de 400 funcionários, por 810 milhões de euros; a conclusão é esperada para o primeiro trimestre de 2027.

O que não muda do lado do gerador

Para quem planeja geração de backup e geração no local, a CC dentro da sala não tira o gerador do terreno. Grupos geradores e motores a gás continuam produzindo CA em média ou baixa tensão; a conversão apenas muda de lugar na cadeia. O que muda é a interface: quem fornece o equipamento de conversão, onde ele fica e como gerador, UPS e baterias se coordenam quando a carga varia em degrau. Essas questões pertencem à primeira revisão de projeto, não ao comissionamento. A eletrônica de potência também transforma suas perdas em calor nas salas elétricas, e a carga térmica se desloca junto. Nossa página sobre data centers trata do lado do gerador; o mesmo tema de 800 V CC apareceu em nosso relatório sobre a Vantage e a Heron Power.

Fontes: Utility Dive, Eaton (comunicado de resultados, registro na SEC)

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