Seis anos depois de aprovado pelos reguladores de Wisconsin, o Nemadji Trail Energy Center, em Superior, não será construído. Seus proprietários, a Dairyland Power Cooperative e a South Shore Energy, subsidiária da Allete, controladora da Minnesota Power, informaram à Public Service Commission, em carta protocolada em 28 de outubro, que estão abandonando a usina a gás de cerca de US$ 1 bilhão, e pediram à comissão que reconheça a renúncia a todos os direitos decorrentes das suas aprovações.
Aprovada em 2020, parada desde então
A comissão concedeu as licenças em 2020 para uma usina de 550 a 625 MW às margens do rio Nemadji, perto de Duluth. As concessionárias a haviam proposto como capacidade de base para substituir unidades a carvão em desativação enquanto investiam em renováveis. Segundo a carta, nada foi construído, nem a usina nem a sua linha de conexão.
A oposição veio de vários lados. Grupos indígenas e ambientalistas contestaram a aprovação durante anos; a Clean Wisconsin e o Sierra Club pediram à Suprema Corte de Wisconsin que aceitasse o seu caso, e a corte recusou. A cidade de Superior negou as aprovações locais, e moradores levantaram preocupações com emissões, ruído e áreas úmidas. O terreno ficava perto de um cemitério onde estão sepultados cerca de 200 antepassados da Fond du Lac Band of Lake Superior Chippewa, informa a Wisconsin Public Radio.
O golpe final veio do parceiro. Em dezembro passado, a Minnesota Power encerrou o seu contrato de compra da energia da usina, e a sua vice-presidente de políticas públicas, Jennifer Cady, disse à comissão que as licenças ambientais de ar, de áreas úmidas e de construção haviam expirado por causa dos atrasos. A carta de outubro não apresenta motivo próprio, e nenhuma das reportagens diz o que os proprietários vão construir no lugar. Brett Korte, da Clean Wisconsin, chamou a decisão de ótima notícia.
Wisconsin continua querendo gás
O estado não está se afastando da geração a gás. A WPR associa a atual onda de projetos a um aumento esperado de 40% na demanda de eletricidade de Wisconsin até 2032, puxado pelos data centers. A POWER Magazine enumera o que está avançando: os reguladores aprovaram recentemente a usina Red Oak Ridge, da Invenergy, de quase 1,2 GW, e a Foundry Ridge, de 324 MW, que a We Energies quer comprar. A própria We Energies obteve aprovação em 2025 para 1.100 MW em Oak Creek e 128 MW em Paris e planeja uma usina de 750 MW no condado de Outagamie, e a Invenergy protocolou em agosto pedidos para duas usinas no condado de Calumet, que juntas somam perto de 2 GW.
Licenças expiram
A lição para quem conta com uma nova usina, seja da concessionária ou própria, é que uma aprovação não é uma usina. As licenças têm prazo de validade, uma cidade ainda pode dizer não depois que o estado disse sim, e a saída de um único comprador da energia pode encerrar um projeto que parecia resolvido no papel. Um desenvolvedor de data center que espera capacidade da concessionária deve perguntar quais licenças já foram obtidas e quem assinou pela compra da energia. Com motores ou grupos geradores no local, vale o mesmo em escala menor: a licença de emissões atmosféricas muitas vezes define o cronograma tanto quanto a entrega dos equipamentos. Nossa página sobre usinas termelétricas traz mais sobre esses projetos, e a revisão estadual de data centers em Wisconsin é a outra metade do mesmo quadro.
Fontes: Wisconsin Public Radio, POWER Magazine
